quarta-feira, 9 de abril de 2014

Como tudo começou...

A princesa nasceu dia 29-12-2009, de 26 semanas e 4 dias com 580gr. Foi um dia de várias emoções fortes! Eu já estava internada no hospital Garcia de Orta (HGO), por pré-eclampsia. Nesse mesmo dia, recebi a notícia da médica que no fim da tarde iriam-me fazer uma cesariana. Esta notícia foi um pouco mal ingerida porque sabia que podia não ver  mais a minha filha mas não tive opção de escolha pois ela já estava em sofrimento porque eu não tinha refluxo e também a minha situação tinha tendencia a piorar.

Felizmente correu tudo bem e pelo que os médicos me informaram, não foi preciso ser logo ventilada e foi para os cuidados intensivos a respirar por si mesma. Quando subi para o quarto,depois de ter feito todos os cuidados obrigatórios, uma pediatra do serviço de Neonatologia (NEO) pos-me a par das situações da princesa. Óbvio que não foi fácil ouvir aquelas palavras tão duras mas reais e que era importante ter consciência dos problemas futuros.
Como podem imaginar o tempo era passado em rios de lágrimas e a mentalizar-me que o pior cenário era o mais provável apesar de o meu coração estar cheio de esperança e ao mesmo tempo... Foi bastante complicado digerir aquelas emoções.
Perante aqueles altos e baixos, a altura de ver a minha filha tinha chegado e por mais que a minha alegria em a ver-la era tanta, ao mesmo tempo ia pensando o que iria encontrar na incubadora... Pelo caminho, que parecia longo, ao meu lado ia a enfermeira que me levava para junto dela, para meu espanto vêr a minha filha tão pequenina e frágil com fios e tubos,maquinas á volta dela que só apitavam fizeram me ficar só com a uma reação que foi chorar e me perguntava quanto mais tempo teria a minha filha.
Foi difícil aquela hora ao pé dela porque queria poder fazer algo,até mesmo trocar de lugar mas era algo que é impossível... Nessa mesma noite, o estado da princesa piorou e teve de ser ventilada e isto mostrava que os problemas iriam começar... Na manhã de 31,os médicos vieram dar-me a notícia que ela tinha feito uma hemorregia pulmonar e então aconteceu o que se temia e foi assim que começou o acumular os vários problemas desde sepsias,ictericia e outras complicações e como se pode ver foi uma passagem de ano cheia de angústia e dor pois não sabia o que esperar naquelas horas e mesmo as 35 semanas que se seguiriam.
Ía todos os dias para o hospital para poder estar junto dela pois era onde estava bem,dava-lhe toda a minha força,amor e coragem, cantava e chorava muitas vezes e ela ouvia e sempre com as minhas mãos por cima do seu corpo frágil para que toda a minha energia passa-se para ela!
Passado as 35 semanas,foi transferida para os cuidados intermédios do Hospital do Barreiro. Era mais uma etapa de sustos atrás de sustos e eu sempre fiz questão de estar o mais presente possível para que pode-se receber aquela minha energia positiva e a esperança! A minha princesa recebeu muitas transfusões de sangue onde que eu ia muitas vezes abaixo pois era desgastante e onde também chegou uma altura que em vez de cuidarem so da princesa, já cuidavam das duas...

Ao fim de uns meses a minha princesa teve alta e como ficou com displasiabroncopulmonar e então teve de ir com um suporte de O2 para casa onde so tinha 2 kg, uma princesa muito pequenina.
Perante isto tudo,uma nova etapa estava preste a começar,sem ajuda das Tias (nome que dei as enfermeiras pois as considerava parte desta família) foi bastante difícil lidar com aquilo mas como tudo temos de aprender,aplicar o que aprendemos e seguir em frente com as melhores das intenções. Lidar com as garrafas de O2,nivelar o oxigénio, mudar as canulas entre outras ... Mas a verdade é que quando se ama um filho de verdade fazemos tudo,até o que é impossivel certo ??!!! eu acho que sim .

Com o tempo as coisas iam parecendo mais fácil e até se conseguiu por uma mochila de O2 liquido o que trazia mais facilidades para as consultas e até pequenos passeios que se dava com ela, mas infelizmente era sustos atrás de sustos, internamentos constantes e muitos riscos de vida com as idas para o Hospital e inclusive cuidados intensivos mas parecendo mentira, a minha filha ( que é uma GRANDE guerreira) ia supreendendo todos com a sua força e garra pois continuava a batalhar para continuar o seu percusso.
Com isto eu tive de apreender a fazer coisas como tirar a expecturação fazendo cinesoterapia, aspirar com a sonda e alimenta-la por sonda nasal entre outras coisas.
Até hoje a minha filha sofre de displasiabroncopulmonar, tem convulsões,baixo peso e é alimentada por um botão de gastrostomia e tem outros problemas que vão aparecendo gradualmente e que já está encaminhada para as especialidades.

Princesa Encantada !